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quarta-feira, 19 de junho de 2024

Críticas - Anatomia de uma Queda (2023)

 

Dirigido por Justine Triet


Existe um subgênero no cinema, que já foi bastante explorado e nos entregou filmes marcantes. Questão de Honra (1992), 12 Homens e uma Sentença (1957), são só alguns exemplos de grandes obras de tribunal. O que causa mais empolgação nesses filmes, é a adrenalina do tribunal aberto, onde os advogados têm que praticamente atuar para convencer os jurados sobre a sentença do réu. CONVENCER, é a palavra chave desses filmes, sem dúvida.


E o convencimento precisa vir carregado de fatos. E aí vem o suspense e o mistério característicos dos romances policiais. Os fatos novos vão surgindo para os personagens, e para nós também. Nós! Nós somos os principais personagens nestes filmes. Porque os espectadores também são colocados no papel de julgadores, desde o primeiro minuto. E é aí que Anatomia de Uma Queda brilha. Porque a sentença, pouco importa realmente no que diz respeito ao julgamento. O que mais importa, é a dúvida que cresce exponencialmente, sobre o caráter da nossa ré, Sandra.


A dúvida, é a chave desta obra de arte. A maneira como a Justine Triet e o Arthur Harari, foram pingando novos fatos, fazendo com que as dúvidas crescecem ainda mais, é o que diferencia este filme dos outros do subgênero. Nos outros, a sentença final é bem amarrada, com todos os fatos na mesa e a conclusão deles. No filme francês… só terminamos com mais questões.


O filme começa com Sandra (Sandra Hüller) recebendo uma jornalista para uma entrevista numa casa afastada da civilização nos alpes. Ela está animada com a entrevistadora, até saindo do assunto de maneira solta e descontraída. Aí, vem a música alta. Uma versão instrumental de P.I.M.P., do 50 Cent, que cola na cabeça de maneira incrível.


Sandra fica incomodada, explicando que o seu marido está ouvindo a música enquanto trabalha no sótão. Sandra dispensa a jornalista, porém marcando um futuro encontro. E aí vem o questionamento: o esposo de Sandra fez aquilo para incomodá-la? Parece ser claro que sim. E por quê? Sandra não recebia visitas rotineiras. Por que aquela em específico o incomodava, ao ponto de ter um comportamento tão infantil?


Sandra então sobe as escadas, enquanto seu filho, Daniel (Milo Machado Graner), sai com o cachorro, Snoop (Messi). Seguimos Daniel com o cachorro por um longo caminho na neve, até que ele volta para casa. Snoop está incomodado, então Daniel o solta. O cão late estridente, diante do corpo falecido e ensanguentado de Samuel (Samuel Theis). Daniel se aproxima, percebendo o corpo e ele começa a gritar a sua mãe, que surge da janela desesperada.


Este é um ótimo início de filme. Misterioso e intrigante no ponto certo. Afinal, por que seguimos Daniel e não ficamos na casa? Provavelmente, aconteceria uma discussão de casal do nível de Charlie e Nicole Barber (Adam Driver e Scarlett Johansson) em História de um Casamento (2019), que certamente levantaria o espectador do sofá. Mas não é assim que Anatomia de uma Queda quer te tocar.


Samuel está morto. Sandra e seu filho estão devastados. Um amigo de Sandra, Vincent (Swann Arlaud) que é advogado, a alerta de que haverá uma investigação, para saber o que aconteceu com Samuel, a colocando inclusive como uma possível suspeita. É aqui que o filme começa de fato. 


Descobrimos que Daniel é cego! E ele usa adesivos em alto relevo nas paredes de cada cômodo para se guiar. É perguntado a ele se não ouviu uma discussão entre os pais, pois ele saiu com o cachorro. Ele costumava sair com Snoop quando os pais discutiam. Ele afirma que não houve discussão, que estava muito seguro sobre isso, pois estava na parte de fora da casa, perto de uma casinha, onde podia escutá-los perfeitamente, mesmo com a música alta. Eles reproduzem a discussão, para testar Daniel. Ele não escuta. O advogado tenta intervir, dizendo que o teste era inútil, pois Sandra já havia dito que não houve discussão. Mas eles insistem. É então que Daniel diz que cometeu um erro. Que estava na verdade dentro de casa. Eles refazem o teste, e Daniel ouve a discussão.


Aqui, Justine Triet brilha! Pois coloca um personagem importante, numa posição de “não-confiável”. Ele errou nesse depoimento, poderia muito bem errar posteriormente. Ou ele não errou? Só de gerar essa dúvida, o filme penetra em nossas mentes, para nunca mais sair. 


A dualidade é a grande marca deste filme. Obviamente, por conta de inconsistências na investigação, Sandra é chamada a julgamento. E novos fatos, carregados de novos questionamentos surgem, que fazem o filme escalar em suspense e mistério. Chega-se a duas possibilidades sobre a morte de Samuel: Suicídio ou Homicídio.


No primeiro caso, ele teria se jogado do sótão, batido a cabeça na quina do telhado da casinha do lado de fora e caído na neve. No segundo caso, Sandra, após uma discussão grave, teria acertado a cabeça do esposo com um objeto pesado, enquanto ele tentava afastá-la perto da janela do sótão, e o empurrado para baixo, onde ele teria batido no telhado, e caído na neve.


O advogado de Sandra, tentava provar que Samuel tinha depressão. Não conseguia mais escrever, e tinha inveja do sucesso da esposa, que já o traíra com outra mulher. Daí, entendemos a primeira cena. Os flashbacks provam que isso é verdade. Que ele abandonou o terapia, que continuou se medicando e teria cometido suicídio, após perceber que sua esposa estava sendo entrevistada por outra mulher. É uma dessas sequências, que o Messi brilhou! Daniel faz um tente com ele, para provar se o pai realmente havia tentado suicídio em outra oportunidade ou não. O cachorro atuou brilhantemente, se fazendo de doente, babando, revirando os olhos! É maravilhoso de ver!


Ok! O suicídio parece fazer sentido. Mas a promotoria também trabalhou duro. Para que o homicídio fosse comprovado, era necessário a prova de que havia tido uma briga pesada, algo que Sandra negava, afirmando que eles nunca haviam chegado às vias de fato. E aí, surge uma prova… uma fita de áudio gravada por Samuel. Ele costumava gravar seu dia-a-dia. E nesta fita, há uma briga nível Charlie e Nicole. É aqui que os personagens mais se expõem, e colocam, em questão de minutos, o que era aquele casamento. Samuel de fato invejava a esposa, a acusando de ter roubado uma ideia sua e feito sucesso com ela, a traição ainda o machucava, Sandra não gostava da ideia deles terem se mudado… e no auge da discussão, quando Sandra parte para cima dele, somos retirados da cena, de volta para o tribunal, ficando apenas com os áudios sugestivos da briga. Então, já praticamente no final do filme, finalmente foi exposto o caráter de Sandra: Ela é capaz de mentir. E principalmente, é capaz de bater no esposo. 


Este praticamente foi o último fato importante do filme. Obviamente, Sandra é absolvida. Pois não encontraram a arma do crime, o objeto pesado que Sandra teria golpeado seu esposo, e não houve confissão. Não precisa ser formado em direito e passado na prova da OAB, para saber que sem a arma do crime, uma confissão, ou uma prova em vídeo ou áudio, não existem possibilidades de julgar um réu culpado de homicídio. Mas isso pouco importa no filme. Afinal, Sandra poderia ter escondido bem o objeto, ou encontrado uma hipotética fita e a queimado. O que mais importa aqui, é o nosso julgamento, diante de um deleite de fatos e questionamentos.


Não ajuda muito o julgamento, com uma personagem tão enigmática. Suas expressões são carregadas de dualidades e assimetrias. Os únicos momentos de preocupação de sua parte, onde vemos um sentimento real, é quando ela pensa no filho. Afinal, com ela presa, seu filho cego ficaria sozinho no mundo. E isso não ajuda muito Sandra, não é mesmo? Do que uma mãe ou um filho seriam capazes de fazer, para não se separarem?


Sandra Huller foi fantástica. Ela representa a ideia do filme de maneira perfeita, irretocável. Foi merecidamente indicada ao Oscar de Melhor Atriz na edição de 2024, edição vencida por Emma Stone, que brilhou em Pobres Criaturas (2024). Ela foi o enigma! A dualidade! Uma atuação arrebatadora.


Justine Triet faz aqui o seu melhor filme, com sua melhor direção. Já havia feito Na Cama com Vitória (2016), uma comédia romântica fora dos padrões, que também traz uma personagem mulher bem profunda. Anatomia de uma Queda é um filme muito bem executado. A gente vê a ideia sendo imposta em cada cena, e mexendo com espectador a cada frame. Ela faz um filme que gera uma discussão eterna. Em que o suspense e o mistério não pararam de escalar ao final do filme, quando Snoop pula na cama com ela. Merecidamente vencedor da Palma de Ouro em Cannes 2023. 


Filmes sem um desfecho claro, costumam incomodar as pessoas. Muita gente não gosta da ideia de assistir um filme por 2 horas e 30, e não saber o desfecho principal do filme. Mas a ideia de um filme assim, é justamente fazer a gente pensar, calcular, fazer testes em nossa mente sobre a anatomia da queda de Samuel…! É uma proposta de filme corajosa e quando bem executada, funciona muito bem. E aí? O que você acha? Sandra matou ou não matou seu esposo?


sexta-feira, 25 de agosto de 2023

Críticas: TITANE (2021)

Dirigido por Julia Ducournau


Muitos amantes da sétima arte, ao pensar em cinema e premiação, automaticamente lembram do Oscar. Quando queremos argumentar o quanto um filme é bom, dizemos quantas estatuetas ele foi indicado ou venceu. O crescimento midiático e representativo do Oscar está ligado à evolução do cinema em Hollywood, iniciado lá no final da década de 20. Mas, assim como o cinema não é só Hollywood, Brad Pitt, Scorsese e Marvel vs DC, Premiações e reconhecimento não vem só da Academia Norte-Americana.


    Ok: O Oscar nos últimos anos tem se expandido para fora da Califórnia. Vide Parasita, Bong Joon Ho, Chloé Zhao, Steven Yeun… Mas, ainda está longe de ter olhos em todos os continentes. Em todas as edições, alguma obra prima escapa. Nós brasileiros, podemos citar Bacurau, por exemplo, que poderia tranquilamente ter tido pelo menos 6 indicações. Mas, sabemos que o Oscar tem seus bastidores, trabalhos de lobby… enfim.


    Olhemos para fora de Hollywood e Oscar, e encontraremos alguns Festivais e premiações tão renomados quanto. Veneza e seu Leão de Ouro, Berlim e o Urso de Ouro e, para mim o mais charmoso, Cannes e a Palma de Ouro. Grandes diretores e filmes já passaram por lá e tem em suas prateleiras a Palme d´Or. Martin Scorsese (Taxi Driver (1976)), Federico Fellini (A Doce Vida (1960)), Akira Kurosawa (Kagemusha (1980)), Andrzej Wajda (Homem de Ferro (1981)), Jane Campion (O Piano (1993)), Quentin Tarantino (Pulp Fiction (1994))... Deu para entender.


     Todos esses filmes têm em comum ideias herméticas, grandes atuações e momentos de choque. A mulher morta em Barton Fink, Robert De Niro salvando Jodie Foster da prostituição infantil em Taxi Driver, Tudo em Pulp Fiction… e, em 2021, os jurados viram uma mulher transando com um Cadillac…


    Julia Ducournau choca Cannes com seu corajoso Titane. Sem dúvidas, já é uma das grandes obras do início da década. É o tipo de filme que não dá para ser explicado, tem que ser visto. É como uma outra obra, também premiada em Cannes, que lembra em alguns aspectos o filme francês; Crash: Estranhos Prazeres (1996) , de David Cronenberg. Assim como na obra de Júlia, o filme do canadense também trata de distúrbios neurológicos, causados por acidentes, e que em consequência trouxeram desequilíbrios mentais/sexuais ligados a automóveis. Sim, o tesão por metal amassado em Crash, é visto no fascínio por metal e óleo em Titane.


    Explicado em palavras, há o risco do filme soar tosco. Mas na verdade é muito diferente do tosco. É um filme cheio de camadas, com atuações brilhantes e desligado de qualquer mesmice já vista. Por isso ganhou o principal prêmio em Cannes.


    O filme inicia trazendo os principais personagens: um carro e Alexia. A menina imita o som do motor, o que causa irritação em seu pai. Julia já quer nos mostrar que existe uma ligação entre carros e Alexia. A menina irrita tanto seu pai, que ele acaba perdendo o controle do carro, enquanto tentava recolocar o cinto em sua filha, e causa um acidente. Vemos apenas sangue no vidro traseiro do carro. Alexia passa por uma cirurgia e uma placa de titânio (Daí o nome do filme) é colocada em sua cabeça. O primeiro choque no filme, é quando Alexia (CRIANÇA!) sai do hospital, corre direto para o carro de seu pai, e o acaricia, o abraça e o beija.


    Há um corte de cena, e pulamos para Alexia adulta (Agathe Rousselle). Já notamos que ela virou uma dançarina sensual, fazendo seus números em… carros! Assim como outras garotas. Com o passar das primeiras cenas, percebemos o quanto ela está distante humanamente e o quanto ela é próxima mecanicamente, principalmente na área sexual. Vemos isso na já citada e histórica cena do sexo com o cadillac, e em sua aversão corporal por pessoas dos dois sexos. Mas, ela demonstra essa aversão, matando essas pessoas. Ela vira uma assassina em série.


    Óbvio, que a polícia começa a ficar em sua cola, com retratos falados dela espalhados pela cidade. Ela acaba tendo uma ideia para escapar; se disfarçar de homem e fingir ser o filho perdido (Adrien) de um bombeiro viciado em esteróides (Vincent Legrand (Vincent Lindon)). A relação entre os dois vive em altos e baixos, mas um fator inacreditável e perturbadoramente surreal, acontece na vida de Alexia. É o grande plot twist do filme. Obviamente, não dá pra contar. Mas, num filme tão corajoso como esse, tranquilize-se ao saber que você vai se impressionar.


    Não foi a estreia de Julia no cinema. Ela já foi bem aplaudida por outras grandes obras como Júnior (2011) e Raw (2017). Outro detalhe importante em sua autoria, que não pode ser esquecido, é o poder feminino, presente nos três filmes citados.


    Mas Titane é sem dúvidas sua criação mais autoral e impressionante de todas. A coloca no radar do cinema mundial e a faz entrar numa lista seleta de cineastas. Ela já é enorme no cinema, com uma palma e sem estatueta.

 

quarta-feira, 10 de maio de 2023

As/ Os Notáveis: A pioneira

 Alice Guy Blaché

País de origem: França
1873 - 1968
Período: Os Primórdios da Sétima Arte

TOP 5:

  • A Órfã do Oceano (1916)
  • O Cair das Folhas (1912)
  • A Garota na Poltrona (1912)
  • O Amor Maior de um Homem (1911)
  • Americanização (1912)

O filho de duas artes

  Falamos aqui sobre os pais da sétima arte. Os Irmãos Lumière, criadores do cinematógrafo, equipamento que transformou fotografia em movimento. Citamos que seus primeiros filmes, tinham mais cara do que chamamos hoje de documentários, por eles mostrarem um pouco mais do cotidiano, do dia-a-dia da França e outros países da Europa. Naquela apresentação num café em Paris, eles apresentaram um filme curioso e engraçado, que fugia da linhagem documental trazida. O Regador Regado. Por que esse filme foi tão importante para o desenvolvimento da arte vanguardista?
  Porque, tínhamos o primeiro filme da história roteirizado. Com atuações, embates e comédia. Sem dúvidas, todos que estavam naquele café deram muitas gargalhadas ao ver o homem sendo molhado. Tínhamos ali, o filho de duas artes: A fotografia (em movimento) e o teatro.
  Terminei esse texto, citando no final alguém que estava naquele café que e com certeza fascinou-se com a beleza do que nascia ali. A francesa Alice Guy Blaché. Trabalhava com Léon Gaumont na época e através dele, conheceu os irmãos, tendo contato com o cinematógrafo dias depois. Interessou-se em participar da concepção daquela arte, com o aval de Gaumont Assim, ela fez seu primeiro filme: A Fada dos Repolhos (1896), um filme cem por cento roteirizado.
  Este filme é muito importante. Além da questão do roteiro e da própria filmagem, tínhamos ali também o figurino da fada e a direção de arte do ambiente. Foi o primeiro filme da história, produzido e pensado de maneira meticulosa. A curiosidade da francesa, fez com que ela desse o ponta-pé inicial no cinema roteirizado e produzido.
  Óbvio, que ela não parou por aí. Interessou-se cada vez mais em desenvolver a sétima arte, trazendo ainda mais qualidade na produção e na roteirização de seus filmes. A parceira com Gaumont foi vital, pois ela pôde inserir por exemplo o cronofone, invenção do francês, equipamento que gravava áudios. Alice então juntava as imagens com os áudios. 
  Sua filmografia nos estúdios Gaumont, também chamava a atenção pelos filmes de dança. São inúmeros curtas com esse tema em sua filmografia, onde o movimento em tela mais chamava a atenção. 
  Mas a francesa realmente começou sua caminhada ao sucesso, com o casamento com Herbert Blaché, e consequentemente a mudança para Nova Iorque-EUA. Lá, o casal fundou a Solex Company e ao lado de Lois Weber, Alice se tornou uma das primeiras mulheres a comandarem um estúdio de cinema. Foi aí que as grandes produções realmente emplacaram. Numa mistura de curtas e longas-metragens, Alice dirigiu O Amor Maior de um Homem, um longa-metragem sobre guerra e patriotismo. Tivemos também o emocionante O Cair das Folhas, filme em que ela usou uma criança como protagonista, algo que virou revolucionário anos depois. Americanização é outro filme importante. Alice trazia ali o pioneirismo num assunto que já foi citado diversas vezes na história do cinema. Recentemente, por exemplo, em Parasita (2019), de Bong Joon-Ho.
   Mas tem um filme de Alice, que eu considero uma verdadeira obra de arte (não que as outras não sejam), A Órfã do Oceano é um ótimo filme. Um roteiro bem amarrado, que prende o espectador. As atuações são ótimas até para a nossa época. A produção do longa é bem feita, com ar livre e estúdio. 
  Dá para resumir Alice em uma palavra: Pioneira. Além de ter sido a primeira mulher a dirigir um filme, a roteirizar e produzir, a ter um estúdio bem sucedido em mãos, ela também trouxe os elencos inter-raciais, a colorização dos filmes e os efeitos visuais, feitos com técnicas de montagem. 
  Infelizmente, os problemas pessoais e conjugais de Alice e seu esposo, além dos primeiros passos de Hollywood, acabaram culminando na falência do estúdio. Alice voltou para a França em seguida, e nunca mais dirigiu um filme. Seu legado acabou se perdendo na história. George Mèlies, com o tempo, acabou tomando seu lugar como pioneiro dos filmes ficcionais. Só nos anos 40, quando Alice decidiu fazer uma autobiografia, publicada e traduzida para o inglês nos anos 70 por sua filha e sua cunhada, com a ajuda do escritor Anthony Slide, que também não entedia a falta de reconhecimento pelo pioneirismo de Alice, foi que o legado da francesa começou a ser recuperado. Até que em 2018, Pamela B. Green dirigiu Be Natural: The Untold Story of Alice Guy Blaché, onde a diretora se comprometeu a fazer uma investigação profunda de toda a vida da pioneira da sétima arte, elevando seu legado, para um lugar de onde nunca deveria ter saído. Obrigado, Alice!  
    

  Filmografia

  • A Fada do Repolho (1896)
  • Une Nuit Agitee (1897)
  • Les Cambrioleurs (1897)
  • Le Planton du Colonel (1897)
  • Le Pêcheur dans le Torrent (1897)
  • Leçon de Danse (1897)
  • Le Cocher de Fiacre Endormi (1897)
  • L´aveugle (1897)
  • Idylle Interrompue (1897)
  • En Classe (1897)
  • Danse Fleur de Lotus (1897)
  • Coucher d´Yvette (1897)
  • Chez le Magnétiseur (1897)
  • Ballet Libella (1897)
  • Baignade dans le Torrent (1897)
  • Au Réfectoire (1897)
  • France et Russie (1897)
  • Scéne d´escamotage (1898)
  • L´utilité des rayons x (1898)
  • Les farces de Jocko (1898)
  • L´entrée à Jérusalem (1898)
  • Le Jardin des Oliviers (1898)
  • Leçons de boxe (1898)
  • Le chemin de croix (1898)
  • L´aveugle fin de siècle (1898)
  • La fuite en Égypte (1898)
  • Suprise d´une maison au petit jour (1898)
  • La Flagellation (1898)
  • La crèche à Bethléem (1898)
  • La cène (1898)
  • Je vous y prrrrends (1898)
  • Jésus devant Pilate (1898)
  • Déménageme à la cloche de bois (1898)
  • Un lunch (1899)
  • Transformations (1899)
  • Monnaie de Lapin (1899)
  • Mésaventure d´un charbonnier (1899)
  • Le tonnelier (1899)
  • Le tondeur de chiens (1899)
  • Les dangers de l´alcoolisme (1899)
  • Le déjeuner des enfants (1899)
  • Le crucifiement (1899)
  • Le chiffonnier (1899)
  • L´aveugle (1899)
  • La réssurrection (1899)
  • La mauvaise soupe (1899)
  • La descente de croix (1899)
  • O Bom Absinto (1899)
  • Erreur judiciaire (1899)
  • Danse serpentine par Mme. Bob Walter (1899)
  • Courte Échelle (1899)
  • Au cabaret (1899)
  • Valse lente (1900)
  • Une rage de dents (1900)
  • Suite de la danse (1900)
  • Saut humidifié de M. Plick (1900)
  • Retour des champs (1900)
  • Pas Japonais (1900)
  • Pas du poignard (1900)
  • Pas de éventails (1900)
  • Pas de grâce (1900)
  • Mort d´Adonis (1900)
  • L´Habanera (1900)
  • Le sang d´Adonis donnant naissance à la rose rouge (1900)
  • Le Pollichinelle (1900)
  • Le matelot (1900)
  • Le marchand de coco (1900)
  • Le lapin (1900)
  • Le départ d´Arlequin et de Pierrette (1900)
  • Le danse des saisons (1900)
  • L´écossaise (1900)
  • Leçon de danse (1900)
  • Le bébé (1900)
  • La tarantelle (1900)
  • La source (1900)
  • L'arléquine (1900)
  • La reine des jouets (1900)
  • La poupée noire (1900)
  • La petite magicienne (1900)
  • La paysanne (1900)
  • L'angélus (1900)
  • La fée aux choux, ou la naissance des enfants (1900)
  • La danse du ventre (1900)
  • Gavotte directoire (1900)
  • Déclaration d'amour (1900)
  • Dans les coulisses (1900)
  • Danse serpentine (1900)
  • Danse du voile (1900)
  • Danse du pas des foulards par des almées (1900)
  • Danse du papillon (1900)
  • Dance de l'ivresse (1900)
  • Coucher d'une Parisienne (1900)
  • Chirurgie fin de siècle (1900)
  • Chez le photographe (1900)
  • Chez le Maréchal-Ferrant (1900)
  • Chapellerie et charcuterie mécanique (1900)
  • Bataille de boules de neige (1900)
  • Badinage (1900)
  • Avenue de l'opéra (1900)
  • No Baile das Flores (1900)
  • Arrivée de Pierette et Pierrot (1900)
  • Arrivée d'Arléquin (1900)
  • Tel est pris qui croyait prendre (1901)
  • Scène d'ivresse (1901)
  • Scène d'amour (1901)
  • Pas de colombine (1901)
  • Lecture quotidienne (1901)
  • Lavatory moderne (1901)
  • Hussards et grisettes (1901)
  • Frivolité (1901)
  • Danses basques (1901)
  • Charmant froufrou (1901)
  • A Peculiar Cabinet (1902)
  • Trompé mais content (1902)
  • A Parteira da Classe Média (1902)
  • Quadrille réaliste (1902)
  • Pour secouer la salade (1902)
  • Les malabares, acrobats (1902)
  • Sage-femme de première classe (First Class Midwife) (1902)
  • Les clowns (1902)
  • Les chiens savants (1902)
  • L'équilibriste (1902)
  • Le pommier (1902)
  • Le marchand de ballons (1902)
  • Le lion savant (1902)
  • La première gamelle (1902)
  • La gigue (1902)
  • La fiole enchantée (1902)
  • La dent recalcitrante (1902)
  • La cour des miracles (1902)
  • Intervention malencontreuse (1902)
  • Farces de cuisinière (1902)
  • En faction (1902)
  • Danse mauresque (1902)
  • Danse fantaisiste (1902)
  • Danse excentrique (1902)
  • Bonsoir m'sieurs dames (1902)
  • Fruits de saison (1902)
  • Service précipité (1903)
  • Secours aux naufragés (1903)
  • Répétition dans un cirque (1903)
  • Potage indigeste (1903)
  • Nos bons étudiants (1903)
  • Ne bougeons plus (1903)
  • Modelage express (1903)
  • Lutteurs américains (1903)
  • Le voleur sacrilège (1903)
  • Les surprises de l'affichage (1903)
  • Les braconniers (1903)
  • Les aventures d'un voyageur trop pressé (1903)
  • Les apaches pas veinards (1903)
  • Le liqueur du couvent (1903)
  • Le fiancé ensorcelé (1903)
  • La valise enchantée (1903)
  • La poule fantaisiste (1903)
  • La main du professeur Hamilton ou le roi des dollars (1903)
  • La chasse au cambrioleur (1903)
  • Jocko musicien (1903)
  • Illusionniste renversant (1903)
  • Faust et Méphistophélès (1903)
  • Enlèvement en automobile et mariage précipité (1903)
  • Compagnons de voyage encombrants (1903)
  • Comme on fait son lit on se couche (1903)
  • Comment Monsieur Prend Son Bain (1903)
  • Cake-walk de la pendule (1903)
  • Paris la nuit (1904)
  • L'oiseau envolé (1904)
  • Les enfants du miracle (1904)
  • Les deux rivaux (1904)
  • Le pompon malencontreux (1904)
  • Le crime de la Rue du Temple (1904)
  • L'assassinat du courrier de Lyon (1904)
  • La leçon de pipeau (1904)
  • La gavotte de la reine (1904)
  • Comment on disperse les foules (1904)
  • Après la fête (1904)
  • Pierrot, Murderer (1904)
  • La première cigarette (1904)
  • V'la le rétameur (1905)*
  • Viens, poupoule (1905)
  • Valsons (1905)
  • Si ça t'va (1905)
  • Saharet, boléro (1905)
  • Réhabilitation (1905)
  • Polin, l'anatomie du conscrit (1905)
  • Miss Helyett: Air du portrait (1905)
  • Lilas blanc (1905)
  • Dranem Performs 'The True Jiu-Jitsu' (1905)
  • My Quay's Hole (1905)
  • Le tango (1905)
  • Les p'tits pois (1905)
  • Les maçons (1905)
  • Le rire du nègre (1905)
  • Le petit panier (1905)
  • Le petit Grégoire (1905)
  • L'enfant du cordonnier (1905)
  • Le coq dressé de Cook et Rilly (1905)
  • Le boléro cosmopolite (1905)
  • La statue (1905)
  • La polka des trottins (1905)
  • La paimpolaise (1905)
  • La mattchiche (1905)
  • La malagueña et le torero (1905)
  • La fifille à sa mère (1905)
  • La charité du prestidigitateur (1905)
  • Jeune homme et le trottin (1905)
  • Five O'Clock Tea (1905)
  • Être légume (1905)
  • Espagne (1905)
  • Cucurbitacée (1905)
  • Clown, chien et ballon (1905)
  • Chez le dentiste (1905)
  • C'est une ingénue (1905)
  • Cake-walk nègre (1905)
  • Allumeur-Marche (1905)
  • À la cabane bambou (1905)
  • Un soulier pour un jambon (1906)
  • Une histoire roulante (1906)
  • Une course d'obstacle (1906)
  • Un cas de divorce (1906)
  • Questions indiscrètes (1906)
  • Mireille (1906)
  • The Consequences of Feminism (1906)
  • Le songe du pêcheur (1906)
  • Le Noël de Monsieur le curé (1906)
  • Le fils du garde-chasse (1906)
  • Le cochon de lait (1906)
  • The Birth, the Life and the Death of Christ (1906)
  • La vérité sur l'homme-singe (1906)
  • La hiérarchie dans l'amour (1906)
  • The Irresistible Piano (1907)
  • L'enfant de la barricade (1907)
  • Le ballon dirigeable 'Le patrie' (1907)
  • Fanfan la Tulipe (1907)
  • Une héroïne de quatre ans (1907)
  • One Touch of Nature (1908)
  • The Sergeant's Daughter (1910)
  • A Child's Sacrifice (1910)
  • A Fateful Gift (1910)
  • A Widow and Her Child (1910)
  • Her Father's Sin (1910)
  • What Is to Be, Will Be (1910)
  • Lady Betty's Strategy (1910)
  • Two Suits (1910)
  • The Pawnshop (1910)
  • The Nightcap (1911)
  • The Girl and the Burglar (1911)
  • A Reporter's Romance (1911)
  • His Best Friend (1911)
  • Ring of Love (1911)
  • Mixed Pets (1911)
  • Corinne in Dollyland (1911)
  • Love's Test (1911)
  • A Costly Pledge (1911)
  • Out of the Arctic (1911)
  • Put Out (1911)
  • Greater Love Hath No Man (1911)
  • La Esméralda (1905)
  • A Fool and His Money (1912)
  • Algie, O Mineiro (1912)
  • O Cair das Folhas (1912)
  • Anericanização (1912)
  • A House Divided (1913)
  • A Armadilha e o Pêndulo (1913)
  • Shadows of the Moulin Rouge (1913)
  • Matrimony's Speed Limit (1913)
  • The Monster and the Girl (1914)
  • The Woman of Mystery (1914)
  • The Tigress (1914)
  • The Lure (1914)
  • My Madonna (1915)
  • The Shooting of Dan McGrew (1915)
  • The Vampire (1915)
  • A Órfã do Oceano (1916)
  • House of Cards (1917)
  • Behind the Mask (1917)
  • House of Cards (1917)
  • A Man and a Woman (1917)
  • The Great Adventure (1918)
  • A Soul Adrift (1919)
  • Vampire (1920)
  • Tarnished Reputations (1920)

Críticas - Anatomia de uma Queda (2023)

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